sábado, março 09, 2013

Chuva.

Chuva que te faz pensar e relembrar coisas do passado, momentos que te faziam mais bem do que mal, chuva que lembra as tempestades por quais passou, dificilmente, mas passou de cabeça erguida, chuva que seu cheiro trás o cheiro daquela pessoa que costumava estar sempre com você, chuva que te faz pensar e relembrar que ela se foi e não esta mais ao seu lado.

Uma viagem louca.

A moça me conduziu para longe sem me fazer sair do lugar.
Ela me ajudou chegar em uma casa, uma casa bonita, parecida com aquelas do interior do Texas.
Eu estava em frente a casa, bati na porta e uma mulher me atendeu, mas ela não me viu, e a moça me mandou passar por ela, e entrar na casa; eu me esquivei da mulher que atenderá a porta  e entrei.
Era tudo tão bonito, mas me passava medo. A mulher que atendeu a porta não me via, e a moça que me guiava mandou eu andar pela casa. A porta dava de frente com uma escada de madeira, então eu subi.
"O que você estava vendo?", "Tem algumas portas", "Então entre na primeira".
Lá havia uma menina, devia ter seus 5 ou 6 anos, ela me viu e veio correndo me abraçar.
"Ela está me chamando de papai", "Fale com ela".
eu me agachei e abracei-a.
"Oi, querida", "Papai, eu sinto saudades", "Eu também, querida", "Por que você foi embora?", "Eu não sei", " A mamãe disse que você queria virar uma estrela, todos as noites ela me leva lá fora pra olhar pro céu". Eu comecei a chorar, e a moça me mandou continuar andando pela casa, procurando coisas que pudessem me fazer lembrar de algo.
"Querida, espere aqui", "Você vai embora de novo?", "Me escuta, eu quero que você sempre sorria e cuida da sua mãe, pode fazer isso?", "Mas eu sou criança, e a mamãe é grande", "Você pode cuidar dela, meu amor", "Ta bom, papai". Ela me largou e voltou a brincar.
Entrei na outra porta.
"O que você vê?", "Outro quarto, parece ser o meu", "Procure alguma coisa".
Havia retratos com fotos, o medo voltava de novo, e eu me senti tentada a mexer nas gavetas da cômoda.
"Tem muitos papéis", "Procure", "Tem um envelope", "O que há nele? abra-o e leia".

Certidão de Óbito
Certifico que, a fls. 42.658 do livro nº 1.370; de registro de óbitos, foi encontrado hoje o assento de Fernando Joaquim, falecido aos 22 de junho de 1918, as 19 horas, em domicilio, do sexo masculino, de cor branca, profissão cardiologista, natural de Portugal, domiciliado e residente em Castelo de São Jorge - Lisboa, com 50 anos de idade, estado civil casado, filho de não declarados, profissão não declarada, natural e residente de não declarados.
Foi declarante José Nobrega, sendo o atestado de óbito firmado por uma pessoa qualificada no termo, que deu como causa da morte Intencional, suicídio por enforcamento, o sepultamento foi feito no Cemitério dos Prazeres.
Observações: Casado com Angelica Maria Rosa, deixou uma filha e bens.
O referido é verdade e dou fé.
Lisboa,  19 de março de 1919.
O Oficial. 'Assinatura'.

"O que você está sentindo agora?", "Arrependimento", "Você acha que trouxe com você algo do passado?", "Sim", "Você está no mesmo caminho,  e mesmo assim ainda se sente pressionada, o que eu posso te dizer nessa consulta é que a mudança é feita só por e a partir de você".
Continuamos por mais algumas horas e, eu percebi que dessa vez vai ser parecido, ou bem pior do que foi.